quarta-feira, 3 de junho de 2015

725 - «DESCALÇA DE VIVER» - FERNANDO ECHEVARRIA

725

DESCALÇA DE VIVER

Descalça de viver, andava sempre,
Enchia a rua quando não passava.
Mas se passava, desfazia o tempo
e apagava a rua, os homens e as lágrimas.

Nem ela própria já vivia dentro
de si. A roupa que levava
tinha uma cor de triste e pensamento
que não se sente e não se vê. E nada

dela se via que que não fosse um vento.
Nem um silvo ou perfume a denunciava.
Sabia-se, de certo, que vivia

porque o dia, a certas horas se quedava
pronto, parado, como não sendo dia.
Ela, descalça de viver, passava...

FERNANDO ECHEVARRIA


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