segunda-feira, 23 de novembro de 2015

750- "INTERVALO" FERNANDO PESSOA

750

INTERVALO 

Quem te disse ao ouvido esse segredo
Que raras deusas têm escutado -
Aquele amor cheio de crença e medo
Que é verdadeiro só que é segredado? ...
Quem to disse tão cedo?

Não fui eu, que te não ousei dizê-lo,
Não um outro, porque o não sabia.
Mas quem roçou da testa teu cabelo
E te disse ao ouvido o que sentia?
Seria alguém, seria?

Ou foi só que o sonhaste e eu te o sonhei?
Foi só qualquer ciúme meu de ti
Que o supôs dito, porque o não direi,
Que o supôs feito, porque o só fingi
Em sonhos que nem sei ?

Seja o que for, quem foi que  levemente,
A teu ouvido vagamente atento,
Te falou desse amor em mim presente
Mas que não passa do meu pensamento
Que anseia e que não sente ?


Foi um desejo que, sem corpo nem boca,
A teus ouvidos de eu sonhar-te disse

A frase eterna, imerecida e louca  --
A que as deusas esperam de ledisse
Com que o Olimpo se apouca. 1
                                                              1917(?)  

Publ. in Momento, nº.8, Lisboa, Abril de 1935

FERNANDO PESSOA

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

749-«TÉDIO» FERNANDO PESSOA

749

                   TÉDIO

Não vivo, mal vegeto, duro apenas,
Vazio dos sentidos porque existo;
Não tenho infelizmente sequer penas
E o meu mal é ser (alheio Cristo)
Nestas horas doloridas  e serenas
Completamente consciente disto.

Ó naus felizes, que do mar vago
Volveis enfim ao silêncio do porto
Depois de  tanto nocturno mal  --
Meu coração é um morto lago,
E é à margem  triste  do lago morto
Sonha um castelo medieval...

E nesse, onde sonha, castelo triste,
Nem sabe saber a, de formosas
Sem gesto ou cor, triste castelã
Que um porto além rumoroso existe,
Donde as naus negras e silenciosas
Se partem quando é no mar manhã...  

Nem sequer sabe que há o, onde sonha,
Castelo triste... Seu ´spirito monge
Para nada externo é perto e real...
E enquanto ela assim se esquece, tristonha,
Regressam , velas no mar ao longe,
As naus ao porto medieval...
                              
                                   (10-6-1910)

FERNANDO PESSOA



           

domingo, 11 de outubro de 2015

748 - «ABDICAÇÃO» FERNANDO PESSOA

748

      ABDICAÇÃO

Toma-me, ó noite eterna, nos teus braços
E chama-me teu filho.
                                     Eu sou um rei
Que voluntáriamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços.


Minha espada, pesava a braços lassos,
Em mãos viris e calmas entreguei;
E meu ceptro e coroa -- eu os deixei
Na antecãmara, feita em pedaços.

Minha cota de malha, tão inútil,
Minhas esporas, de um tinir tão fútil
Deixei-as pela fria escadaria.

Despi a realeza, corpo e alma,
E regressei à noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia.1

Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.

E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho,
Soas-me na alma distante.

A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado
Sinto a saudade mais perto.2


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1  Publ. in Ressurreição, 9, Fevereiro de 1920
2  Publ. in Renascença, Lisboa, 1919


FERNANDO PESSOA

sábado, 10 de outubro de 2015

747 - «AQUELE QUE PROCUROU» ANA HATHERLY

747

«AQUELE QUE PROCUROU»

Aquele que procurou
E não encontrou,
É o homem desiludido.
Aquele que procura
E tudo encontra
E nada pode fazer do que achou,
É mais que infeliz:
Sabe a verdade.

ANA HATHERLY

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

746 - CHAFARIZ DAS PORTAS DE MOURA EM ÉVORA PORTUGAL

746

Sem a grandiosidade e impacto urbanístico da fonte da Praça do Giraldo, o Chafariz das Portas de Moura inaugurou uma tipologia maneirista de fontes na cidade de Évora, em que claramente o da Praça do Giraldo se filia, ao mesmo tempo que significou uma marca de poder e de progresso durante o governo do Cardeal junto à maior obra pública então em construção, o Aqueduto da Prata.
[Fonte: PAF, DGPC, IP]

terça-feira, 8 de setembro de 2015

744 - PRAIA DO FOLE E FOLE PEQUENO

744

PRAIA DO FOLE E FOLE PEQUENO - BRASIL

yara Sena
PROPRIETÁRIO

Sudeste  -  Ontem à(s) 21:24
Praia do Fole e Fole pequeno
Ilha do Cardoso - SP
Mais distantes, quase três horas a partir de Maruja,as caminhadas cortam um morro que separa Fole de Fole pequeno,
Ambas sai praticamente desertas e ficam entre imensos costoes ,com muitos rochedos ao redor. E são eles segundo contam, o barulho, que a água do mar faz ao bater nas pedras seria parecido com a de um fole. A Praia do Fole tem 700metros de extensão ,areia plana, escura e batida e menos de uma dúzia de casinhas de nativos, enquanto a de Fole pequeno tem apenas 350m,ambas, dão vista para a Ilha de Cambiru logo em frente.
Brasil