segunda-feira, 19 de maio de 2014

433 - "PEDRA TUMULAR" - ANTÓNIO MANUEL COUTO VIANA

433

PEDRA TUMULAR

A minha geração fugiu à guerra,
Por isso a paz que traz não tem sentido:
É feita de ignorância e de castigo,
Tão rígida e tão fria como a pedra.

Desfazem-se-lhe as mãos em gestos frágeis,
Duma verdade inútil por vazia,
E a língua imóvel nega o som à vida,
Por hábito ou por falta de coragem.

Se há rumores lá de fora, às vezes, lembra:
Porque é que pulsa o coração do mundo,
Precipitado, angustioso, ardente?

Mas depressa submerge na indiferença
-- Que lhe deram um túmulo seguru;
E o relógio dá-lhe horas certas, sempre.
   
                                               (Mancha Solar)

António Manuel Couto Viana

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